O que são PGBL e VGBL
Os dois são planos de previdência privada — produtos financeiros desenhados para acumular patrimônio ao longo dos anos com objetivo de complementar a aposentadoria do INSS (ou substituí-la, no caso de quem não contribui). Ambos têm vantagens fiscais específicas que os diferenciam dos investimentos comuns.
PGBL — Plano Gerador de Benefício Livre: permite deduzir os aportes anuais do Imposto de Renda, até o limite de 12% da renda bruta anual. No resgate, o IR incide sobre o valor TOTAL (capital aportado + rendimentos).
VGBL — Vida Gerador de Benefício Livre: não tem benefício fiscal no aporte. No resgate, o IR incide APENAS sobre os rendimentos (não sobre o capital).
Regra simples: quem deve escolher cada um
| Perfil | Indicação |
|---|---|
| CLT, declara IR completo, contribui para INSS | PGBL (até 12% da renda) |
| CLT, declara IR simplificado | VGBL |
| Autônomo / PJ que não contribui ao INSS | VGBL |
| Isento de IR (renda < R$2.640/mês em 2024) | VGBL |
| Já aporta o máximo no PGBL e quer mais previdência | PGBL + VGBL |
Simulação: PGBL vs VGBL em 30 anos
Vamos comparar dois cenários idênticos exceto pelo plano. Premissas: investidor de 35 anos, salário anual R$120.000 (faixa IR de 27,5%), aporte mensal de R$1.200 (R$14.400/ano = 12% da renda), rentabilidade líquida de 8% a.a., resgate aos 65 anos pela tabela regressiva (10% IR).
| Métrica | PGBL | VGBL |
|---|---|---|
| Aporte total em 30 anos | R$ 432.000 | R$ 432.000 |
| Restituição IR (27,5%) reinvestida | +R$ 118.800 | — |
| Saldo bruto aos 65 anos | R$ 1.890.000 | R$ 1.480.000 |
| Base de cálculo IR | R$ 1.890.000 (total) | R$ 1.048.000 (só rendimentos) |
| IR no resgate (10%) | −R$ 189.000 | −R$ 104.800 |
| Valor líquido final | R$ 1.701.000 | R$ 1.375.200 |
Diferença: R$ 326.000 a mais no PGBL — 23,7% de vantagem. Esse ganho vem da restituição reinvestida e do imposto cobrado só uma vez no fim, sem efeito do come-cotas.
Tabela regressiva: como funciona
| Tempo do aporte | Alíquota |
|---|---|
| Até 2 anos | 35% |
| De 2 a 4 anos | 30% |
| De 4 a 6 anos | 25% |
| De 6 a 8 anos | 20% |
| De 8 a 10 anos | 15% |
| Acima de 10 anos | 10% |
Cada aporte tem sua própria contagem de tempo. Aporte de janeiro de 2026 começa em 35% e vai decaindo. Aporte de janeiro de 2036 ainda estará na faixa de 35% se você resgatar em janeiro de 2038 — por isso a previdência é estritamente de longo prazo.
Taxas: o assassino silencioso
Duas taxas costumam aparecer:
- Taxa de administração: percentual anual sobre o patrimônio. Bons planos cobram 0,5% a 0,9% a.a. Acima de 1,5%, fuja.
- Taxa de carregamento: percentual cobrado em cada aporte. Em 2026, a maioria dos planos novos cobra ZERO. Se vir 1% ou mais, busque alternativa.
Em 30 anos, taxa de 1% vs 2% gera uma diferença de ~22% no saldo final. Em valores absolutos, num plano de R$1 milhão, isso é R$220.000 de diferença. Compare planos rigorosamente — o Comparador de Fundos do InvestiCalc tem o impacto detalhado.
Quando NÃO investir em previdência
- Reserva de emergência ainda incompleta: previdência tem liquidez ruim. Mantenha 6 meses de despesas em Tesouro Selic primeiro.
- Plano com taxas altas (> 1,5% adm ou > 1% carregamento): melhor investir direto em Tesouro IPCA+ ou fundos com taxas baixas.
- Você não declara IR completo e não se enquadra no PGBL: o VGBL ainda pode valer, mas analise se Tesouro Direto não é mais eficiente.
- Horizonte menor que 8–10 anos: tabela regressiva ainda alta. Renda fixa direta é mais eficiente.
Portabilidade: você pode trocar de plano
Não gostou do seu plano? Você pode fazer portabilidade — transferir o saldo para outra seguradora, com outras taxas e estratégia de investimento, sem pagar IR. Limites: a portabilidade tem que ser entre planos do mesmo tipo (PGBL para PGBL, VGBL para VGBL) e do mesmo regime de tributação. É uma ferramenta poderosa subutilizada — muita gente fica preso num plano ruim por desconhecimento.